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as papilas

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atalhos

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dou de cara

com

todas as

babas

mas

farejo

estrelas

escondidas







Chupo travesseiros

Roçando as mandíbulas

Na penugem da nuca



Coço atrás da orelha

Esquerda

Pisco

Pisco



E sonho no tapete esquecido
molhado
sob o
Tanque
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se lambo esta lágrima que arde
e ela não é como todas
se não nasce indignada da dor
incontida
se ela cai assim quente e roliça
cheia de sal e de gozo
é porque não se explica



brota solta somente
com gosto de milagre
e eu gosto
enfeitiça
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manhã me abraça 
sacudo o beiço espirro o cansaço salivo um requebro 
                      e limpo as traças

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doce cavalgar a umidade da serra largar a língua afrouxada a arcada dentária um balanço caindo do céu ao som de um monte de música norte americana my girl da rádio local

a lua a lua a lua 
fala a loucura do meu irmão

a lua 

eu me junto

eu e ele on the road
over the moon

lonely

Beat Generation

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Dia 04, Geração Beat,do Claudio Willer,L&PM, Livraria Martins Fontes, 19h ou 20h.Av Paulista.



Willeriemo-nos!




las atituds poeticas

los pivianos

las garotas enxaquecas

las fundamentales

los cigarreros

los queridinhos

los rojos y los ferrarettos



y

la basis revolucionaria de la ELL,

mujeres de las taras gentiles



presentes !



las barranovas

los marshmalows de Sá

la Mme y sus niñas

y los chicos más jóvenes

y sus ojos tan abiertos sobre



las mariposas del tabuleiro de xadrez



y que sea

siempre

siempre



diadema

y

sus botijas

cantantes



las vigilias

los circulos

y el

fuego

los tambores

y los sueños



ruflando en los muros

antes tan rubros









willeriemo

nos

todos



hasta

lo que sea

vivir





besos



beth

(portunhol e nem sequer selvaje...)

cu é lindo

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sem surpresa ou impasse
alimento no reto sem que na boca antes a 
saliva o valha 
o que sacia não fica 
que a poesia arda
foto: do site cuelindo
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25 de setembro, 80 anos de Roberto Piva 
Viva Piva meu salmão tatua barbatanas com óleo das essências 
dos teus florais
que marejam 
na tua pupila ácida
arco palpitante no teu peito imaginário de gavião
espremo a miopia para te materializar
entre o fosso do inferno e a chave da comédia assim nua roço - me à beira da cama
vazia de ninfos anjos
mas sinto teu perfume
porque
sacudindo meu peixe molhado
aprendi a ser só
ser
inverso avesso
e não oposto rasteiro voador
aquático semi mortal
prometeu indeciso
sem registro ou apenas a menina
gostando ainda
ainda
de ouvir estórias
a teus pés
Revista E

Poesia Urbana - edição dez/2016, nº 246


DEZEMBRO 2016
Nº 246

Ser poético. Eu, poesia

Ilustração: Marcos Garuti
Ilustração: Marcos Garuti
Ser poético. Eu, poesia

por Beth Brait Alvim


A poesia entrou na minha vida aos 12 anos.
A percepção de um ser poético surgiu bem depois, e me impactou de forma encantatória. Parecia que a expressão dava conta do estranhamento que eu sentia, na maior parte do tempo. A poesia me concedia – e ainda me concede – uma pausa vital, uma suspensão sobretudo, rompendo com todas as obrigações e regras; pondo abaixo todos os vetos, classificações, preconceitos e limites. E, daí, eu vivia uma transfiguração, ganhava outro olhar sobre todas as coisas.

Meus poemas contêm, com recorrência, o espanto diante das estranhezas da família, dos espaços, dos impulsos do amor e de seus contrários – como se fossem questão razoável de oposição. Aqui, vale citar a revelação de [Fernando] Pessoa que, feito Alberto Caeiro, me presenteou aos 15 anos com o apaziguamento sobre o esta…
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https://www.youtube.com/watch?v=lWZ5u0LO7wg&t=26s




Dois poemas MUSICADOS por NEUZZA PINHEIRO



esse registro ora postado seja mais do que de mim mereça ser exposto

faço - o por gosto

da reverência

do apreço

da admiração e da tietagem


pela Neuzza Pinheiro

fada bruxa poderosa

e mansa

lânguida sedução

sem tempo

sábia manhosa

ultra voz

puta interpretação



me deu                concedeu mesmo

o espasmo estético        música


dois poemetos dos anos 80
um deleite
segundo Don Celso de Alencar

um tom waitts melhorado 

posto feminino forte leão.

Cena:  Casa das Rosas Quinta Poética, 2010, da Escrituras Ed.
O fio que cobre



fino fio de cobre
o esquecido cachecol
que cobre
o lume
ou bem o sol

não é possível que só sobre
teu nome bordado
pela ausência esverdeado
pelo desatado nó

nunca a pedra
nunca o tempo
nem tudo o que a dor encobre
nada soterra meu menino
nada fará com que nada sobre

nem tua queixa
teus mimos
teus ruídos

a sete chaves sussurros e odores inócuos
nove do nove sessenta e duas velas
flashs do além voaram pela janela
já éramos póstumos

sete dias antes

imagens secretas
eternas

antes do último
instante


                         25 de maio de 2015/ 03 de junho de 2017
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las piñas de mis manos respingam en tu baño. tus ojos cierram calmos. las ventanas blancas tan blancas silvam fulgores de la nascente del dia.
Ni mi alma clama el frescor de la mañana. Solamente mis tremores se acercam de ti.

lãs

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cachos de um rebanho sauvignon
se enroscam nos meu sonhos de
algodão

eu olho nuvens

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olho e olho nuvens até  o queixo ficar mole  e a vista turva  todo tipo de nuvem 
até que isso me console  até que a rigidez se torne curva
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pouso

mariposas são assim

pousam

cabe ao poeta o
sobrevoo

o
gozo
muito tempo que não venho aqui.

não abro, não posto, não revejo, não tento.

hoje volto, e repentinamente consigo abrir. e postar.


o motivo é a poesia, ainda. e sempre.

fui provocada a escrever um artigo sobre poesia urbana contemporânea.
no convite, ao telefone, a graciosa e atenta emissora falou do blog. eu disse a verdade. como sempre. mesmo sabendo que a verdade muitas vezes não tem de ser dita... eu diria, melhor, talvez, muitas vezes  não deve ser explícita.

num encontro com um terapeuta nos anos 80, ele me disse que eu tinha crise de autenticidade. alguns anos depois, nos pré 90, um mestre disse em sala de aula, ao que rebati com minha quase psicótica veemência, que nem tudo deve ser dito a qualquer pessoa em qualquer lugar.

sim, eu sofro com isto, ou melhor, sofri. não é conveniente, mesmo, dizer sempre a verdade.

no caso, eu disse. não visito meu blog faz tempo, não consigo mais editá-lo, brinquei nos formatos e escolhi o mosaico, eu gosto, é bonito, desconexo e desigual, como…

Para pais e filhas

da minha asa direita meu anjo desencolheu -se 

ajeitou minha dor inferior
desencantou meu
erro superior 
e pôs minha
outra asa
paralisada em círculos

hoje somos tão leves

que não sei mais viver
com os pés sempre
no chão

de onde estiver

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banha teus olhos com mel e lava tua língua com água de rosasaquieta tua respiração e acompanha de onde estiver o sol repousando

                                                             NA VERDADE, ERA FEVEREIRO.

asas

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beija-me ou supera-me 
manhã


antes que seja tarde
me acalma
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depois da ferrugem diluída em tatuagem na chuva feito olho de peixe morto
repousado na âncora do fundo do
                               ah que saudade do velho marinheiro
emergem gotas de pérola e
por todo o nunca se vê o fim
foi descuido de uma concha adormecida que se apaixonou pela ampulheta quebrada que só

rodava                rodava             rodava....


olha
tenho duas das gotas preciosas...
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( Para Martín Palácio Gamboa)


Pensei senti bastante a ramblas caminhando hoje em Natal. Montevidéu me cativou. É quase uma solidão pirateada. Uns livros de ouro em arquivo queimado. Uma doçura nos homens de endoidecer com discreção. Um cheiro de cravo.


E aquele rio prateado que me lembra o inferno.
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nada breve o lapso entre o ser e o amar 

 pare o ventre o risco azul 

 um blue voar

 aparamenta com disfarces o peso de amar 

alisa o desejado nu e o aquece

e beija todas as avós as velhinhas as as que se foram e as de que nem se lembra mais.

ver e amar o mar

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ferrugem
amarela a chuva
escorre
penetra o oceano
feito olho de peixe
que morre
                                      ondula e dança solto
até repousar

no fundo

mar mareja cálcio areia
e engodo
rouco o tambor
assanha as tatuagens do antigo marinheiro
o amor


ah breve é a vida para tanto mundo

de ervas e melodias contra a morte

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de ervas e melodias contra a morte
ergo a axila esquerda bem lenta
e meu anjo canta para que meus pelos
tremam de novo como estrelas
põe minha cabeça desmaiada sobre a macela
e o algodão
e derrama água com malva em minha língua presa

então grito forte de modo que a morte seja mesmo o
nada

ele sorri como sempre e seu canto me ergue da terra
e suas asas embalsamam minha carne viva

levanto a axila direita e esfrego o sangue cansada




desde menina
sempre o amei

e sempre soube da eternidade



                                    abril 2013 in facebook-