terça-feira, 13 de outubro de 2009

paraanapeluso

É, Ana, às vezes me imputo tão anacrônica, Ana, só porque estranho - no estômago, o puto lanho: ingresso pro enterro do Michael' virou presente de aniversário, Obama Nobel da paz, tanto faz, né não, Ana? Tanto faz o caralho. Não é nada não, Ana, só ando meio estranha,Ana...
Um cheiro de enjoo crônico me acompanha.


boa noite

ps: postei ontem com foto e tudo o 'Honrar la vida' que a Mercedes canta. Não salvou. Não é preciso.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

de ponta cabeça é melhor que com os pés no chão




mis locos amores

Pois é, louca pela netinha que tá pra chegar, adiantei meu aniversário do dia 09 para o dia 06...Aliás, nessas alturas, de ponta cabeça é melhor que com os pés no chão, não é não? E fui contra mesmo o que Pessoa Campos tão lindamente conta no 'Aniversário' deles '... já não faço anos, duro...'. E assim, como não quero só durar, invertemos tudo: foi um balacobaco dubão aqui chez moi no domingo, que foi minha folga. Chuva até parou, lua cheia, velas e mato, fogão a lenha, cantoria like a jam session como tem saído sempre e muito boa. Ai, coração, gente de Diadema poeta de verdad, povo da escola livre de literatura de Santo André, um único e pós tudo do Sesc, que é de rádio e TV,( denominado pelo meu são irmão de 'aquele outro'), duas ou três atrizes, duas /dois ou três poetas, artistas plásticos, um ou dois filósofos, digamos assim, um beb Miguel, o anjo, uns 4 ou 5 músicos, mon compagnon, le maître, mis hijos, mon pit pirata e bondoso ...

No início da tarde batizei o bolo com três andares de La Tour de Pizza, já que ele, não tinha jeito, caía de lado. E eu sabia que era porque eu estava amargando.Quanto mais bílis, menos ele ficava reto. Eu tinha encharcado tanto com conhaque - e Domeck, imaginem, o brandy mais caro com que me embebedava no Maison,em São José, nos anos 80, articulando a Fundação Cultural, apaixonada por aquele saxofonista que, puxa, além de me render muitos poemas, morreu há alguns anos já, tão moço... . (surtos de penitência do meu companheito quando pisa torto: compra Domeck pra eu encharcar um bolo porque gosto de bolo com gosto de cachaça, compra duas blusas iguais com cheque sem fundo, compra com cartões e escreve poemas e diz que ama e tudo e flores e tudo e isso tudo há mais de dez anos, e eu, pior, nem ligo mais...)

A base da primeira das três fornadas do tal bolo ficou tão esfarelada de conhaque, boiava muito no brandy. Nem um quilo de chocolate derretido cimentou os outros andares. O povo em delírio lá na mata, entre velas, rodas e cantos; ninguém percebeu que na cozinha meu genro arrancou 1/4 da lateral caída do bolo, a parte mais molhada e saborosa,e a devorou com minha filha. Então pusemos velinhas para todos no que restou em pé, e juntos, todos, inventamos músicas, poemas, e sopramos muito todos multicores as velinhas multicores do World Trade - que foi o nome afinal e final do bolo.

La fête foi uma reedição da festa dos virginianos, que não fazíamos há uns dois anos, que eu e Mme Mônica armamos juntas. De cette fête só recebemos, não fizemos nada.Eu não fiz nem o que faria para aniversários tradicionais, muito menos como o do Pessoa. Só o bolo. A Mô trouxe arroz doce, porque pensamos que cada um podia trazer uma prato da infância. As velas, belas, mesmo, foram as que minha filha pôs no nosso caminho, lá da entrada, nos 35 ou 40 degraus, até o nosso quintal verde de mato...


Mirem, fui trabajar ontem meio borracha, vino et laetitia. Minha alma é naturalista e foi uma das melhores coisas que fiz este ano. Cantamos muito, e havia além de meus absurdos queridos filhos, umas cinco brujas e, enfim, os homens, que cuidaram do bebê, da comida, do Nicolau, das fotos, das mulheres enquanto discursavam,
até cantarem, se emocionarem e dormirem.

Meu filho me pôs na cama.

Meus amigos, fui devagar na estória, porque em público sou pudica. Well, mas saibam'when I was young so much young than today.... ' eu era muito menos doida,

pena.

inté

domingo, 30 de agosto de 2009

eu nunca quis ser madona

no fim e no fundo

cada noite um tango me desconcerta
uma luta me encolhe e me expande feito fantasma
não sei se ando ereta ou se pareço torta
ou se sinto estar torta e só talvez esteja certa
ou se no fundo tudo é medo ou se
a vida é coisa rasa
e no fim tudo é simples demais
e isso é no fundo o que choca

vivo de ensaio e de arremesso
e se me considero um projeto
ou se alcanço o outro extremo
o que é vero é sempre um desmaio
que é bem mais difícil mas certo

só sei que o sério
não se sustenta
e no fundo
me dá um baita cansaço
um enjoo profundo
e não compensa


no fim boto fora o que
camufla e explica
cartesianamente
desse encolhido ocidente
o tamanho coma

pouca gente gosta
quase ninguém entende

sorry
sejam pacientes

eu nunca quis ser madona


inté

segunda-feira, 6 de julho de 2009

poesia interdita ou saudades de mim.






Faz tempo que não me visito.
Ando sem fome. Acho que me alimento de um desejo, faz quase 15 dias: escrever sobre a Quinta Poética da Casa das Rosas do dia 25 de junho, que a Escrituras Ed. promove. Tive o empenho de ser uma vez mais a poeta anfitriã, convidada pelo Raimundo Gadelha, poeta e editor, e pela Carmen Barreto, assessora de imprensa, competente e apaixonada, o marketing da Escrituras.

O marketing de uma editora é a decisão política de uma editora. Tento perturbar o Gadelha sempre, clamando e louvando (por) uma editora para/dos poetas. Sim, existem, excelentes. Mas, é bem como eu dizia ao querido Pedro Tostes na noite passada ou nesta madrugada, não sei, na Rio Santos, quando deixamos as cicatrizes da FLIP para os moradores de Paraty: poesia não vende, claro, poesia não se põe à venda, ela não se enquadra e não se enquadrará jamais como produto a ser consumido.

Eu disse cicatrizes? É, saímos de Paraty quando já eram notáveis as cicatrizes. Ainda me emociono muito com a FLIP, como no primeiro ano, por ser onde é, mas me emociono mesmo com a OFF FLIP e com os amigos resistentes que por lá cruzamos todos os anos. Com a FLIP, tão grande, tão poderosa, também me emociono, apesar de com ela não ter visto a cidade. Sim, porque antes o livro virar fetiche do que não virar, porque antes escritor ser pop star, como disse o Alan Pauls, do que...

Eu me emociono, porque conheci Paraty em 1975 (logo após meu telefone foi grampeado)-amontoados no fuscão do Thomas, o alemão, o pai dos meus filhos, pulando e bebendo com os olhos e com o coração os pés de moleque da estrada Cunha -Paraty. Eu, que convivi com Zé Kleber -poesia e música-, e que hoje é memória lírica da cidade e um nome de mesa na FLIP. Eu que vi a Gabriela ( é, a do filme, a do livro do Amado) dançando descalça no Como Antigamente, nos tempos em que ainda não existia a Rio Santos, no tempo em que o cartaz do Dama do Lotação com ela, linda, era patrimônio da parede em frente ao WC do Coupé ...).Eu me emociono porque em cada rua e em cada esquina e conforme a luz mais ou menos difusa-ah, tinha um bar com esse nome, não é insinuante? Luz Difusa....- me vem forte uma imagem com uma estória pra contar. Hoje acho todas ousadas. Quando as conto para jovens como o Pedro ou como o Jimmy, o Brandon, de Diadema, deus meu, acho mesmo ousadas e fortes e belas e merecedores de memória. Vanguardas de fato eram as atitudes e seus desejos: nenhum medo, nenhum recuo.
Deuses, como hoje ainda a força é bruta. E como. E como estamos conservadores, Paraty. Já mando uma contestação. Não dá mais.
(O time da Lan aqui de Massaguaçu vai expirar. Eu, idem.) Não dá saber que caçam a poesia, ainda. Como foi esta vez, na FLIP. Apreenderam material poético do Tostes.

Ainda teimam em 'apreender' poesia.
Apreendem-na das ruas, seu lugar de voz, de direito, de história.

Amigos queridos:
Ovídio, lutador e curador literário da OFF FLIP.
Tostes, Caco e Berimba dos Maloqueiristas, povo de San Jose dos Renitentes, Josie, Joca ...
Edu Planchez, do Blake Rimbaud, salve, meu irmão!


Hatoum, que eu tanto quis abraçar...

Não dá. Vou ler o JB porque teve entrevista. Prenderam a poesia. Não dá. Já era. Já envelheci demais pra ver de novo isto.

Outro dia falo da maravilha do pessoal da Quinta Poética. Marcelo, Celso de Alencar, Vanessa Lambert,Bittar,Neres,Gadelha, Carmen, Santo André, e todos, todos, baita clima, e meu filho, minha nora e Lara Beatriz, minha neta, que virá pra mim em setembro, será que no mesmo dia que eu???

inté.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

lance matutino



sigo sôfrega atrás de mim mesma
depois de cavar extremos e mergulhar a esmo
até que eu sucumba a impulsos que não me perdoem
e meu coração tresloucado salte e voe
atrás dos seus corações para que sempre me atordoem

sexta-feira, 24 de abril de 2009

do fundo dos vazios de Ponty e Heidegger


e o lance é o
lance

o espaço vazio
entre o corte e o fio

entre a sorte lançada
e o nada

e o fato é o ato
entre o gesto e o efeito

o desejo

o jeito é estar mudo
o silêncio
o vazio

e o tudo

sexta-feira, 10 de abril de 2009

FRUTO

não lambuzo o beiço
nem salivo doce
diante do meu fruto
predileto


a casca áspera no
caminho do meu pomo
lanha-me a garganta


não lambuzo o beiço
nem salivo doce


engulo seco

Beth Brait Alvim
in Mitos e ritos


midi: Sortilegios,Paco e Lucia
formatação e arte final Mary Castilho