Media Luna

Media Luna me cavalga em cada poro uma gota êxtase que a media luna exalou me embriago dos odores do deserto e sobrevôo meu concreto com as plumas dos caracóis entre os dedos dos meus pés sua o sal da úmida noite e meu sangue vagueia atrás dos rastros dos lagartos um coiote manso dança sobre o solo endurecido de nervuras e eu lambo o horizonte linha reta e dura que sombreia todos os cactos púrpura doce é meu coração de volta uma cortina de arco íris me desnuda como deusa presa no mural de oaxaca mariposas me atordoam uivam sobre minha cabeça penetram ardentes de vida e cor todas as dobras de meu tempo febril