um rasgo
e a pedra certeira fez tremer
meu sono
é o abandono de saramago
que me apedreja
inteira
o ser josé que lateja em mim
é tanto milênio
é estranho
é primeiro
e não tinha de ser apenas
ser
é não ter o direito de morrer
ser saramago
é não poder não ser
ser josé saramago
é não suportar salivar
o gosto amargo
de um escritor como josé saramago
ser apenas um ser
hoje mais um grande motivo de viver morreu.
bb
6 comentários:
abraços na jangada. talvez agora ele esteja no outro lado da margem, como dizia mia couto; aqueles que nos acenam e nós temos olhos cegos. (numa versão resumida do conto). abraços "la maestra"
Beth, as fotos do Sopa, bjão
http://clubecaiubi.ning.com/photo/albums/sopa-de-junho-poeta-da-noite
E agora vem o Piva e se pensa a mesma coisa. Piva tinha medo da morte, como nos disse. E se não há conforto restam os grandes textos como este. Foda Beth! Itamar, outro que tansladou, é que diz: "se a obra é a soma das penas, pago, mas quero meu troco em poemas". Sei que esse apego a obra, como a um pedaço de madeira depois no naufrágio, é um tanto decadência. Mas ainda uma elegância. Ver-te, Carlos.
é uma tristeza mas também arrisco que saramago tenha vivido treze vidas numa só... e certamente o veremos novamente sob os olhos fulgurosos duma arte que só agora está vindo ao mundo, respirando pela primeira vez...
Aika, naveguemos
em ondas de fogo que nos embalem
e nenhum naufrágio nos engasgue
Anônimo,
as fotos são deliciosas porque de verdade o sopa foi delicioso, o melhor encontro de poesia que já fui, estávamos lindos, vc é precioso demais, e me deixou mais feliz.Beijos na Sole e em ti. foi demais!!!!
bb
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